Jesus nos ama
infinitamente
Em Jerusalém
assistimos o Nascimento do Menino Jesus, o Cristo, o
filho de Deus. Eis que agora nos encontramos no
Continente Asiático, na cidade de Jerusalém, no ano 33,
século I. É uma viagem de quase 2000 anos atrás! Assim
que chegamos, percebemos que estamos num belo recanto
cheio de verde. No fundo havia uma bosque e muitas
ovelhas pastavam tranqüilas.A Páscoa De Jesus
Foi num recanto
perto de Jerusalém, onde ouvi Jesus orientando os
apóstolos sobre a celebração da Festa da Páscoa do
seu povo.
Os judeus têm uma história muito antiga. Diversos
acontecimentos da vida desse povo, do qual nasceu Jesus,
estão narrados na primeira parte da Bíblia, chamada
Antigo Testamento. Nessa parte, estão reunidos
ensinamentos para a vida, histórias e pregações de
homens de fé, chamados Profetas. Num dos livros, o
Êxodo, narra sobre o tempo difícil em que os judeus
viveram no Egito, como escravos. Narra também os fatos
ligados á fé em Deus que deram força para eles se
libertarem. Com a proteção de Deus e guiados por um
líder chamado Moisés, os judeus conseguiram passar da
escravidão para a liberdade. Saíram do Egito e foram
construir a sua nação, na Palestina. A festa da Páscoa
celebrava essa grande liberte-o: a passagem que livrara o
povo judeu da escravidão.
A ceia pascal de
Jesus
Naquela tarde, pude
ouvir parte da conversa entre Jesus e seus discípulos
quando ele lhes explicou como queria os preparativos ceia
da Páscoa. Sempre á um canto, discretamente afastado,
assisti Jesus, com uma toalha amarrada á cintura,
carregando um jarrão de água e uma bacia, lavando os
pés dos doze apóstolos.
Depois de algum tempo, vi quando Jesus pegou um pão
inteiro com as duas mãos, seu olhar doce se voltou para
os apóstolos, um por um. Havia um diferente. Em seus
olhos, um brilho bonito e ao mesmo triste. Quando o olhar
de Jesus encontrou-se com o de Judas Escariotes, o
apóstolo baixou os olhos. Novamente os olhos de Jesus
voltaram-se para o pão. Colocou-o sobre a mesa. Olhou
fundo como se o pão fosse um espelho. Estendeu as mãos
sobre ele, abençoando-o. Fez uma oração de louvor e a
agradecimento. Tomou o pão de novo, com as duas mãos e,
olhou emocionado para os doze. Disse o Senhor então:
"Tomai todos e comei. Isto é o meu corpo, que será
entregue por vós".
E em seguida, partiu o pão, dando um pedaço a cada um.
Todos comeram num profundo silêncio. Em seguida, Jesus
pegou a taça de vinho. Vi então que esta era maior que
as outras, parecia especial. De novo, o olhar de Jesus
estende-se sobre os apóstolos. Sua voz ressoou solene:
"Tomai todos e bebei. Este é o cálice do meu
sangue. O sangue da nova e eterna aliança, que será
derramado por vós e por todos para o remissão dos
pecados".
Jesus segura o cálice e completa: "Fazei isto em
minha memória!"
Um por um, todos bebem do cálice. Ninguém diz uma só
palavra. Pensei então em quantas vezes ouvi o padre
dizer essas palavras na Missa e nem pensei em Jesus! E
foi ele que falou: "Fazei isto em memória de
mim".
Depois Jesus convidou os onze para irem orar no Monte das
Oliveiras. Notei que seus olhos estavam com um brilho
diferente, como se estivessem molhados. E saíram. Jesus
e os onze: Pedro, André, Tiago (filho de Zebedeu),
João, Felipe, Bartolomeu, Tomé, Mateus, Tiago (filho de
Alfeu), Tadeu e Simão. A noite estava clara. Era tempo
de Lua cheia.
Em seguida, assisti o sofrimento atroz de Jesus no Horto
das Oliveiras. O Filho de Deus sabe tudo o que vai
passar, vê e sente os pecados todos do mundo,
principalmente os nossos, de hoje... E na testa de Jesus,
o suor escorria, vermelho como sangue. Parecia que o
mundo inteiro estava desabando sobre Ele...
Sentindo um aperto no coração ao ver Jesus chorar,
escondi-me e também chorei baixinho. Minha emoção foi
interrompida por um movimento de luzes: eram as tochas
acesas que se aproximavam.
Daí, então, Jesus é preso e flagelado terrivelmente.
Vilipendiado, ofendido, julgado injustamente e condenado
da forma mais vergonhosa que podia existir: será pregado
em uma cruz. Terá uma morte lenta, humilhante e
dolorosa.
Levado para ser sacrificado, como um cordeirinho...
A multidão amontoava-se na praça que se estendia diante
do Pretório. Esse era o local onde o governador romano
fazia seus julgamentos. Emocionado e cansado, ainda
estava lá, no meio da multidão. Não conseguiria voltar
para casa sem presenciar o acontecimento da vida de Jesus
até o fim. Atordoado, ouvi as conversas das pessoas á
sua volta:
- O governador Pôncio Pilatos está tentando livrar
Jesus.
- Mas não vai conseguir.
- Ele mandou que chicoteassem Jesus. É um duro castigo.
- Mas as autoridades de Jerusalém estão dizendo que Ele
está contra o imperador de Roma, porque Jesus disse que
é um rei.
- Você sabe que isso não é verdade. Jesus nunca falou
que é rei deste mundo. Ele falou do Reino de Deus.
- É, mas Pilatos está numa situação difícil.
Ameaçam dizer que ele não está cuidando direito dos
interesses do imperador...
- Veja, é Jesus. Olhe só o estado dele!
Meus olhos se voltaram para o Pretório. O que vi foi
impressionante: Jesus á frente de um grupo de soldados.
O rosto, o corpo e a roupa cobertos de sangue. Na cabeça
uma coroa de espinhos. Nos ouvidos, ressoavam gritos da
multidão:
- Crucifica-o! Crucifica-o!
E, num instante de silêncio, a voz de Pilatos:
- Eis o homem, levai-o para ser crucificado!
Uns homens rudes e fortes pegaram uma grande madeira e
colocaram-na sobre os ombros de Jesus. Percebendo que,
ferido como Ele estava, não conseguiria carregar,
olharam para o chefe dos soldados. Este, vendo a
multidão chamou um homem forte e corpulento e ordenou: -
Ajude-o a carregar o patíbulo (tora de madeira que forma
o braço da cruz)! Ajude com firmeza. Ele esta
arrebentado e precisa chegar ao lugar da execução da
sentença.
Seguindo aquela dolorosa procissão, lembrei do
cordeirinho sendo levado ao altar para o sacrifício. A
imagem do cordeiro, preso no cercado do Templo, para ser
sacrificado, veio-me a mente.
O tempo passou. Refletindo pensei: Ele sofreu tanto. É
preciso sofrer para salvar os outros?
O sofrimento não é o mais importante, amar é o mais
importante. Enfrentar o sofrimento por amor a alguém
vale a pena. Veja o crucifixo.
Meu olhar continuava fixo no crucifixo na parede do
quarto.
É uma imagem bonita não porque mostra a dor mas porque
mostra o amor. Jesus amou tanto, que até enfrentou a
morte na cruz. É esse amor que dá força, que inspira
confiança.
O sono foi chegando e adormeci sonhando com Jesus e os
discípulos.
Olhem meu peito rasgado: sou Eu!
Lembrando Jesus pregado na cruz, o corpo coberto de
sangue e terra. Jesus, na última Ceia, pegando o pão e,
com o olhar grave, dizendo: "Isto é o meu corpo,
que será entregue por vós". E depois, pegando o
cálice com vinho: "Este é o cálice do meu sangue,
que ser derramado por vós, para o perdão dos
pecados".
Nessa hora, veio-me á mente, mais uma vez, a figura de
João Batista apontando para Jesus, dizendo: "Eis o
Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo".
Lembrei-me também de Ter visto o padre com a hóstia nas
mãos bem levantada a dizer: "Eis o Cordeiro de
Deus. Que tira o pecado do mundo". Só então
compreendi com o coração, aquilo que li e ouvi tantas
vezes: Jesus está na Hóstia e no Vinho consagrados (que
se tornou sagrado depois de oferecido a Deus. A hóstia e
o vinho ficam consagrados quando o padre repete na missa
os gestos e as palavras a de Jesus na última ceia). Ele
quis ficar presente, num dom de amor, para dar força aos
seus discípulos. A Hóstia (o pão) e o vinho são o
Corpo e o Sangue de Jesus. O altar é a cruz. Não há
coisa mais bonita e que nos dê tanto o amor de Deus como
a Comunhão.
Lembrei-me também de Jesus, perto de um poço, falando a
uma samaritana: "Eu sou a água da vida. Quem bebe
desta água, nunca mais terá sede".
Lá, no fundo do coração, senti também que não era
verdade o que escutei lá no Calvário. Jesus está
Vivo!! Ele vive no nosso próprio coração, na vida dos
cristãos. Ainda há poucos meses, a Festa da Páscoa foi
comemorada. Festa que passou a ter outro significado para
os cristãos: a celebração da ressurreição de Jesus,
de sua passagem da morte para a vida.
Enquanto sonhava, pensei: "Como os apóstolos
reagirão quando virem Jesus vivo, na frente
deles??"
As portas estavam fechadas, mas, pude espiar por um vão
da parede do fundo. Lá estavam dez apóstolos: Pedro,
Tiago (filho de Zebedeu), João, Mateus, Felipe,
Bartolomeu, Simão, Tadeu, Tiago (filho de Alfeu) e
André. Faltavam Tomé e Judas.
Cuidadosamente observei cada um. Pareciam temerosos e
assustados. Pedro falava e outros questionavam assim:
"Maria Madalena afirmou com segurança que viu o
Senhor. Estive lá. João foi comigo. O sepulcro estava
aberto, a pedra estava rolada para fora. O lençol,
dobrado num canto. O corpo não estava lá!"
- Não é possível! E os Guardas ?. O corpo não estava
lá. O corpo não estava lá! Madalena insiste em firmar
que viu Jesus e falou com Ele, bem cedo!"
De repente, Jesus apareceu no meio deles, cara a cara,
saudando-os: "A paz esteja com vocês. Vejam, sou eu
mesmo. Olhem minhas mãos chagadas. Olhem meu peito
rasgado... Sou eu!"
Vi como o espanto dos dez se transformou em alegria. O
rosto de todos passou a brilhar de felicidade.
Aproximaram-se e sentaram-se diante dele. Jesus disse de
novo: "A paz esteja com vocês". E continuou:
"Assim como o Pai me enviou, eu os envio".
Depois soprou suavemente sobre eles, num giro de cabeça
que permitiu a cada um sentir o ar que saia de sua boca.
E falou: "Recebam o Espírito Santo. Aqueles á quem
perdoarem os pecados, serão perdoados..."
Nesse momento, os apóstolos abaixaram a cabeça. Jesus
desapareceu. Eles levantaram o rosto, entreolharam-se
felizes. Pedro disse logo: "Madalena falou a
verdade. Jesus está vivo! Jesus Ressuscitou!"
Nesse instante bateram a porta. Era Tomé.
A ressurreição de Jesus foi tão escondida. Ele
apareceu somente para os seus amigos. Mas sua morte na
cruz lá no alto do Calvário, foi tão diferente. Todo
mundo viu? Porque isso?
- Meu filho, não posso responder sobre os caminhos do e
amor de Deus. O que sei é que esses caminhos não são
do jeito do mundo, na base da força, do espetáculo, da
grandeza. A ressurreição de Jesus fortaleceu a fé dos
discípulos mostrando-lhes que nem a morte, nem o mal
vão vencer na vida. O caminho dessa vitória foi o
caminho do amor, e o caminho da cruz. Você sabe qual foi
a primeira coisa que Jesus fez quando apareceu aos
apóstolos pela primeira vez depois de sua
ressurreição?
Foi dar-lhes o poder de fazerem o maior ato de amor:
perdoar em nome de Deus.
Nós recebemos esse perdão de Deus no sacramento da
confissão. A gente confessa os pecados àqueles que
hoje, são os nossos apóstolas, os sacerdotes.
Mas eles são homens como a gente... Eles também erram.
Sim, mas os sacerdotes, como os apóstolos, foram
chamados a seguir Jesus de um modo diferente das outras
pessoas, isto é, dando suas vidas para a missão de
continuar a obra de Jesus. E Deus lhes concede o poder de
perdoarem. É um poder que vem do amor de Deus. Eles têm
esse poder não porque são melhores que os outros, mas
pela missão que devem cumprir para o bem dos cristãos.
Os homens cometem muitos pecados. Mas o pecado é o que
vem do egoísmo, que nada mais é do que falta de amor.
Se os homens fizessem menos pecados, haveria mais amor.
Aí não veríamos miséria e tantas coisas ruins
acontecendo em nossas vidas.
Sinta Jesus vivo ao seu lado. Ele é o seu Santo
companheiro na caminhada desta vida rumo ao céu, sua
pátria definitiva. Uma feliz Páscoa!
©Padre Sérgio Palomo
[ Deus pertinho Ed.
Ática ]
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Caríssimos:
Este é um texto
adaptado por mim para a primeira pessoa. Isso me
surpreendeu porque a sensação de tristeza e um nó na
garganta ficou por longo tempo. Ao assumir a posição do
personagem senti que podia ver aquela cena brutal
inteira.
Mas o Evangelho não
quer que nós apenas sintamos autopiedade por nossas
fraquezas.
Infinitas vezes senti o olhar penetrante de Jesus me
olhando com compaixão. Ele sabia o que estava por vir e
nem por isso deixou de lado o amor por nós, ao
contrário, surpreendendo-nos com uma atitude de profunda
esperança no futuro da raça humana, entregou-se ao Pai
com uma frase simples: "pegue sua cruz e me
siga..." (Lc 9:23).
Estamos na Quaresma, tomemos nossa cruz, fixemos nossos
olhos em Jesus e sigamo-lo - é o que ele ainda espera de
nós.
Não nos esqueçamos
de suas palavras: Eu sou o caminho, e a verdade, e a
vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. (Jo 14:6)
"Pai, obrigado
por vossas inúmeras bênçãos, tanto por aquelas que eu
percebi, quanto pelas que não vi. Enche ainda mais de
vossa graça e deixai que vosso amor flua através de mim
para todos os que eu encontrar hoje."
© A palavra entre nós - Dezembro/99 Janeiro/2000 - Pág
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